terça-feira, 9 de junho de 2026

Economia de baixa altitude: a próxima revolução logística global

Para Pernambuco essa nova economia oferece muita oportunidade, já que dialoga diretamente com o Porto Digital

O eVTOL da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, deve char ao mercado em 2030 - Foto: Divulgação

A economia de baixa altitude começa a deixar o imaginário da ficção científica para ganhar espaço na economia real. Drones agrícolas, entregas aéreas automatizadas e sistemas voadores para mobilidade urbana começam a transformar o espaço aéreo próximo ao solo em uma nova fronteira de negócios, desenhando uma nova cadeia industrial global.

O setor começa a impulsionar segmentos ligados a software, baterias, sensores, semicondutores, telecomunicações e aeronaves leves. Na prática, trata-se da criação de um ecossistema tecnológico que combina mobilidade, conectividade, inteligência artificial e automação, abrindo espaço para novos investimentos industriais e serviços de alto valor agregado.


Mas poucos países avançam tão rapidamente nessa corrida quanto a China, onde o governo vem desbloqueando esse potencial com serviços de entrega por drones, inspeção de linhas de energia e até turismo aéreo — algo alinhado às prioridades estratégicas nacionais. Em 2024, a economia de baixa altitude foi incluída, pela primeira vez, no relatório de trabalho do governo chinês, destacando-se como um novo motor de crescimento ao lado da biomanufatura e do setor espacial comercial.

Na China, ao fim de 2023, havia 1,27 milhão de drones civis registrados, alta de 32,2% em relação ao ano anterior. Não é de se admirar que esse mercado tenha movimentado US$ 93 bilhões em 2024, segundo dados citados pelo governo chinês com base em levantamento da consultoria CCID.


Essa nova economia é importante porque cria mais uma cadeia produtiva: fabricação de aeronaves, baterias, chips, sensores, softwares, serviços de navegação, seguros, manutenção, plataformas digitais e infraestrutura urbana.


As guerras têm impulsionado algumas empresas desse segmento, como a portuguesa Tekever, fabricante de drones e sistemas autônomos sediada em Caldas da Rainha. Especializada em vigilância aérea, monitoramento marítimo, inteligência artificial e tecnologia de defesa, a companhia ganhou projeção internacional após o uso de seus drones em operações ligadas à guerra na Ucrânia.


Mas e o Brasil? Por aqui, a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, está desenvolvendo um eVTOL, que será lançado com o conceito de “Uber voador”. A sigla, em inglês, significa electric Vertical Take-Off and Landing — aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical. O modelo da Eve terá autonomia para percorrer até 100 quilômetros e voará em altitude intermediária, entre helicópteros e aeronaves comerciais. A previsão é de que chegue ao mercado em 2030, após a conclusão dos processos regulatórios.


Também no Brasil, a Speedbird Aero, startup brasileira de logística aérea, ganhou destaque por ser a primeira companhia autorizada pela Anac a realizar entregas comerciais com drones no país. A XMobots é outra empresa brasileira considerada uma das maiores fabricantes de drones profissionais, voltados ao agronegócio, à defesa e ao geoprocessamento. A Vertical Connect também vem se destacando e anunciou a intenção de implantar uma unidade voltada à produção de eVTOLs no município de Itaitinga, no Ceará.


Para o Brasil, país de dimensões continentais, esse mercado oferece muitas oportunidades, principalmente no agronegócio e nos setores de logística, defesa civil e energia. Pernambuco também pode se beneficiar desse movimento, já que o tema dialoga diretamente com a produção de software, área em que o Porto Digital é referência.


Como se vê, a disputa nesse novo cenário de revolução tecnológica sai das ruas e ganha os ares, tanto no espaço aéreo urbano quanto no rural. Quem dominar essa infraestrutura de baixa altitude poderá controlar uma parte relevante da próxima revolução logística.


Com informações da FP

Nenhum comentário:

Postar um comentário